Atração pelo suicídio é o tema desse livro

Pode haver legitimidade num gesto ambíguo e de razões tão complexas? Por trás do suicídio, uma busca desesperada pela vida.

Suicídio é o tema desse livro: O Deus Selvagem.

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O suicídio é um assunto recorrente que atravessa todos os tempos da humanidade.

Para romanos, era um meio de consagrarem a sua conduta de vida. Mas durante o século VI d.C., a igreja passa a legislar contra esse ato e o classifica como crime. Já na Idade Média, ele torna-se a mais terrível afronta aos desígnios de Deus.

Seja como for, o fato é que o tema inspirou escritores, poetas, revolucionou correntes artísticas, assumindo pela primeira vez, com o sociólogo francês Emile Durkhein, uma consciência social.

Enquanto a religião considera o suicídio um pecado detestável, objeto de repulsão moral, a ciência o vê como uma manifestação patológica.

Nessa obra, esses dois pontos de vista são repudiados pelo seu autor, o ensaísta inglês A. Alvarez. Ele estuda o suicídio na cultura ocidental e busca justificá-lo, restituindo um pouco da dignidade a esse ato tão radical.

O Deus Selvagem – um estudo do suicídio – esse é um livro que penetra os campos da história, da etnografia e da psicanálise.

De Dante à Idade Média, do Renascimento ao Dadaísmo, focando especialmente a condição Moderna. Assim, o autor analisa a influência que a morte voluntária exerceu sobre artistas e nas suas imaginações criadoras, em particular na literatura.

O Deus Selvagem é um excelente trabalho de investigação e reflexão a respeito do tema. Também possui um caráter autobiográfico, já que o autor conta a sua dramática tentativa de suicídio, desentranhando daí o espaço da esperança.

Subi as escadas, tranquei-me no banheiro e tomei quarenta e cinco comprimidos para dormir (A. Alvarez).

Sylvia Plath. Foto.

Sylvia Plath

Há ainda um ensaio brilhante sobre a poesia e a morte da poetisa norte-americana Sylvia Plath, que se suicidou em 1963. Na explosão criativa dos poemas dela, o autor do livro identifica as mesmas visões e a mesma coragem que a levaram ao seu fim trágico.

Dar cabo da própria vida, como e por que tal gesto afeta o imaginário das pessoas criativas?

O livro não tem a pretensão de oferecer respostas ao leitor a partir de teses acadêmicas acerca do assunto.
Segundo o autor, o próprio esforço científico de tratar o suicídio como um tópico digno de pesquisa séria acaba lhe tirando qualquer significação mais séria, ao reduzir o desespero a estatísticas áridas.

Desse modo, A. Alvarez procura  tecer uma detalhada história de caso, fazendo com que todas as teorias, abstrações, citações filosóficas e científicas estejam fundamentadas sobretudo nas particularidades humanas.

Não se está interessado em nenhuma hipótese geral sobre o suicídio. Pelo contrário, quer antes de tudo, resgatar o (s) sentido (s) humano (s) de que tal ato possa se revestir, e que as teorias quase sempre procuram escamotear, descartando-o como pecado ou patologia.

Conforme o autor, o suicídio significa coisas diferentes para pessoas diferentes, em momentos diferentes.


O Deus Selvagem – um estudo do suicídio.
Obra publicada pela primeira vez em 1971 (Londres).
No Brasil, edição de 1999.
Tradução: Sonia Moreira. 288 págs.
Livro conservado.

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A. Alvarez. Autor do livro.

A. Alvarez

Alfred Alvarez nasceu em Londres (1929).  Mestrado em Artes e Doutorado em Letras.
Foi professor em Oxford (EUA). Escreveu crítica literária, ensaios, poesias e romances. Atuou também como crítico e editor de poesia no jornal Observer.

Autor de uma vasta obra poética, ele recebeu o prêmio Vachel Lindsay Prize de poesia da revista Poetry (Chigago), em 1961.
Tornou-se mais conhecido pelo seu estudo a respeito do suicídio e pela obra O Deus Selvagem.

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