Leitor brasileiro mal lê

O leitor brasileiro ainda lá no rodapé

Verdadeiro leitor brasileiro, procura-se. O Brasil levará mais de 260 anos para alcançar o nível de proficiência em leitura dos países ricos.

…mal ouve, mal fala, mal vê (Monteiro Lobato). Leitor brasileiro

Muita gente até reconhece a grande contribuição dos livros e da leitura para a inserção social e a consequente formação da cidadania. E sabe o quanto a leitura é importante para uma atuação mais consciente e produtiva na sociedade. Contudo, o autêntico leitor brasileiro ainda é considerado uma raridade, difícil de encontrar nos dias atuais.

Basta dizer que os nossos estudantes levarão mais de 260 anos para atingir o domínio de leitura comparável aos alunos de países ricos. 

A constatação é do World Development Report (2018), relatório que trata da crise mundial de aprendizagem, produzido pelo Banco Mundial a partir de informações colhidas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).

É claro que essa informação causa perplexidade. Também, pudera. A leitura, principalmente a de livros, nunca foi uma tradição no país.

Na verdade, a obrigatoriedade da alfabetização dos brasileiros de maneira séria é algo recente. Tem menos de cem anos, datando de meados de 1930, conforme Regina Zilberman, professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De acordo com a professora, aqui a cultura da oralidade prevalece sobre a da letrada, diferentemente do que acontece na Europa onde o livro sempre ocupou uma posição central.

Para se ter uma ideia, nesse continente, a média de leitura per capita costuma variar de oito a dez livros ao ano, destaca a presidente do Instituto Pró-livro, Karine Pansa.

Em alguns países é possível observar médias anuais até maiores, como por exemplo na França com 12 livros, na Espanha com 11, e na Noruega que chega a alcançar cerca de 16 livros, acrescenta o pedagogo e mestre em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação, Marcus Garcia.

Já no Brasil, pelo contrário, a média anual fica bem aquém desses números.

Livros lidos por ano
Fonte: Retratos da Leitura no Brasil 2016

São 4,96 livros lidos por pessoa, entre os de literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos.

Desse total, apenas 2,43 são lidos por inteiro, e os outros 2,53 não costumam ser concluídos, conforme a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o mais abrangente estudo sobre comportamento do leitor brasileiro, realizado pelo Instituto Pró-livro em parceria com o Ibope Inteligência (2016).

Os números supracitados não deixam de ser preocupantes. Até porque vivemos em plena sociedade da informação, cuja inclusão social exige cada vez mais que saibamos interpretar, compreender e avaliar, com autonomia de pensamento e competência, as diversas formas de conteúdos com os quais nos deparamos dia após dia.

Esse é um cenário em que o leitor assume papel imprescindível. Deve se fazer entender e ser entendido nos mais diferentes contextos e situações, buscando sempre ampliar sua capacidade de compreensão com ideias próprias e maduras sobre o mundo ao seu redor. E isso requer um vasto conhecimento enciclopédico ou bagagem cultural, sendo que uma das principais fontes de aquisição está no hábito da leitura.

A questão, no entanto, é: Como conscientizar as pessoas da importância de tal atitude?

Ora, o levantamento do Instituto Pró-livro constatou também que 44% da população brasileira não lê.  Além disso, 30% jamais compraram um livro na vida, e 59% dos entrevistados disseram não estar lendo nenhum livro no momento.

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