Livro encadernado com pele humana

Uma encadernação pouco convencional: feita de pele humana. O autor do livro é um poeta e romancista francês do século XIX.

Livro com capa de pele humana

Capa do livro

Livro encadernado com pele humana foi encontrado em uma das bibliotecas da prestigiosa universidade de Harvard (EUA).
A foto, tirada na Houghton Library, a principal biblioteca de Harvard em livros raros e manuscritos, mostra a capa do exemplar cujo título é Des Destinèe de l’ame (Os destinos da alma), do poeta e romancista francês Arsène Houssaye (1815-1896). Ele foi lançado em 1880.
Doado à instituição em 1934, o livro faz uma meditação sobre a vida após a morte e pertencia originalmente ao médico Ludovic Bouland, um famoso bibliófilo (1839-1932).

O volume foi um presente dado a Bouland pelo seu autor com a seguinte dedicatória: “Ao meu querido Dr. Bouland”.

Em suas páginas, Bouland deixou uma nota esclarecendo que o livro fora encadernado em pergaminho de pele humana, e não continha  nenhum ornamento impresso justamente para preservar a sua elegância.

Se olhar com cuidado, você consegue distinguir os poros da pele. Um livro que trata da alma humana merecia uma capa humana, e eu tinha esse pedaço de pele tirado das costas de uma mulher”, finalizou o médico.

Registro de Bouland nas páginas do livro

Registro de Bouland no livro

A veracidade desse relato de Bouland foi comprovada pelos pesquisadores de Harvard, ao analisarem uma amostra da capa mediante a técnica de rastro peptídico que, de fato, confirmou a existência de origem humana.
A análise mostra que é muito improvável a fonte (da pele) ser outra que não humana”, disse Bill Lane, diretor do laboratório da universidade responsável pela confirmação. A pele usada pertencia a uma paciente de uma instituição francesa para doentes mentais. A mulher havia morrido vítima de um infarto, e seus parentes não foram retirar o corpo.
Apesar das encadernações em pele humana serem vistas com fascinação e repulsa nos dias atuais, elas já foram mais ou menos comuns em outros períodos passados da história.

Encadernar livros com pele humana ou fazer uma bibliopegia antropodérmica, como é mais conhecida, começou mais especificamente por volta do século XIII. Desde então, a técnica foi sendo aprimorada até se tornar costumeira no início da Era Vitoriana. A sua finalidade ora se prestava a homenagens póstumas, ora ao erotismo ou para eternizar a lembrança de um crime importante, relata o Dr Lawrence Sidney Thompson (1916-1986), em seu artigo científico Tanned Human Skin. (uma abordagem do encapamento antropodérmico).

A obra “De Humman Corporis Fabrica” (1543), de  Andrea Versales, por exemplo, um dos primeiros tratados anatômicos completos da história, está entre as tantas outras que, na época, eram homenageadas por meio do processo de bibliopegia antropodérmica. Os próprios autores solicitavam que, após suas mortes, os seus livros fossem adornados, literalmente, por eles mesmos. Já no caso das obras do famigerado Marquês de Sade, elas foram encadernadas com pele de donzelas, deixando bem visível o contorno de mamilos em suas capas e lombadas, conta o Dr Thompson.

A curadora assistente de livros e manuscritos modernos da Houghton Library, Healther Cole, completa dizendo que as confissões de criminosos eram, ocasionalmente, encadernadas com a pele dos condenados. Na época, algumas pessoas também chegavam a pedir aos seus familiares e amados para serem imortalizadas em forma de livros.

Referências:
REVISTA ÉPOCA. Livro de Biblioteca em Harvard foi encadernado em pele humana. Junho, 2014.

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